Feeds:
Posts
Comentários

Transcrição da intervenção de Mia Couto na Conferências do Estoril 2011

Bom,

Nada mais inseguro do que um escritor numa conferência sobre segurança, um escritor que se sente um pouco solitário porque foi o único convidado nesta e na anterior edição… preciso de um abrigo, preciso de um refúgio… é um texto que vou ler… o presidente tinha dito que eu devia falar espontaneamente… não sou capaz em sete minutos. Eu escrevi este texto que vou ler e chama-se Comemorar o Medo.

Comemorar o medo

O medo foi um dos meus primeiros mestres.

Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas aprendi a temer monstros, fantasmas e demónios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem. Os anjos actuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas.

Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinaram a recear os desconhecidos. Na realidade a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada, não por estranhos, mas por parentes e conhecidos.

Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambiente que reconhecemos.

Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.

O medo foi afinal o mestre que mais me fez desaprender.

Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional. Os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência e um ateu barbudo com um nome alemão.

Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes à nossa porta, os ditos terroristas são hoje governantes respeitáveis e Carl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.

O preço dessa construção de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no poder alguns dos ditadores mais sanguinários de toda a história e, a mais grave dessa longa herança de intervenção externa, é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A guerra fria esfriou, mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo a oriente e a ocidente e, por que se trata de entidades demoníacas, não bastam os seculares meios de governação, precisamos de intervenção com legitimidade divina.

O que era ideologia passou a ser crença. O que era política tornou-se religião. O que era religião passou a ser estratégia de poder. Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas.

A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem:

Para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentarmos as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania.

Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho poderia começar, por exemplo, pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e de outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.

Aos adversários políticos e militares juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade, imprevisível.

Vivemos como cidadãos e como espécie em permanente situação de emergência. Como em qualquer outro estado de sítio as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.

Todas essas restrições servem para que não sejam feitas perguntas, como por exemplo estas:

*  Por que motivo a crise financeira não atingiu a indústria do armamento?

*  Por que motivo se gastou, apenas no ano passado, um trilião e meio de dólares em armamento militar?

*  Por que razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exactamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadafi?

*  Por que motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?

Se queremos resolver e não apenas discutir a segurança mundial, teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra, essa arma chama-se fome!

Em pleno século XXI, um em cada seis seres humanos passa fome.

O custo para superar a fome mundial seria uma fracção muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.

Mencionarei ainda uma outra silenciada violência. Em todo o mundo uma em cada três mulheres, foi ou será, vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que sobre uma grande parte do nosso planeta pesa uma condenação antecipada pelo facto simples de serem mulheres.

A nossa indignação porém é bem menor que o medo!

Sem darmos conta fomos convertidos em soldados de um exército sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha, a Grande Muralha, que foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente morreram mais chineses construindo a muralha do que vítimas das invasões que realmente aconteceram. Diz-se que alguns trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra, são uma metáfora do quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos mas não há hoje no mundo um muro que separe os que têm medo dos que não têm medo.

Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente.

Citarei Eduardo Galeano acerca disto, que é o medo global, e dizer:

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras e, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.

Muito obrigado

Anúncios

A destruição de um rio…

A audiência on-line não dá muito retorno financeiro aos que pesquisam, editam, corrigem e verificam a informação. Assim, pouco a pouco, constrói-se uma estrutura econômica parasitária que concentra em apenas alguns todos os lucros do comércio – enquanto os outros arcam com os custos da “gratuidade”

Por Serge Halimi
Fonte: Le Monde Diplomatic

Aqueles que sofrem com a falta de atenção à sua causa, ou atividade, em geral deparam com a mesma explicação: “Não temos tempo”. Não temos mais tempo de mergulhar em um livro “muito longo”, de passear sem rumo por uma rua ou por um museu, ver um filme com mais de noventa minutos. Nem de ler um artigo que aborda um assunto familiar, envolver-se com militância ou fazer qualquer outra coisa sem ser interrompido, em toda parte, por algo que finalmente desvia nossa atenção para outra coisa.

De um lado, essa falta de tempo decorre da aparição de tecnologias que nos permitem ganhar mais tempo e do aumento da velocidade dos deslocamentos, das pesquisas, da transmissão de informação e correspondências – facilidades acessíveis a custos baixos e até irrisórios. Mas, simultaneamente, a exigência de velocidade atua sobre o tempo de cada um, e o número de tarefas a serem realizadas aumentou vertiginosamente. Sempre conectados. Proibidos de se descontrair. Não temos tempo.1

Às vezes, é o dinheiro que falta: não temos mais os meios. Se por um lado um jornal como o Le Monde Diplomatique ainda custa mais barato que um maço de cigarros na França, por outro implica uma despesa que assalariados, desempregados, trabalhadores em situação precária e aposentados não julgam pertinente.

Entre outras, essas razões explicam o desinteresse pela imprensa escrita. Parte de seus antigos leitores a abandona à medida que a janela de papel aberta para o mundo se transforma em uma obrigação de leitura suplementar em uma agenda sobrecarregada – principalmente se for necessário pagar por isso. Um dos proprietários de Free e do Le Monde, Xavier Niel, antecipa que os jornais desaparecerão no espaço de uma geração.

Se o financiamento desses meios fosse para as telas e tablets, não haveria com o que se alarmar: um substitui o outro. E mais: nesses suportes, a ciência, a cultura, o lazer e a informação se propagariam mais rápido e chegariam aos lugares mais remotos. De resto, muitos jornais concebidos com o único objetivo de aumentar os lucros (ou a influência) de seus proprietários poderiam muito bem sucumbir sem nenhuma perda para a democracia. A diferença, contudo, é que as novas tecnologias da informação não asseguram ao jornalista um emprego ou uma renda estável como a forma anterior dos jornais e meios de comunicação impressos. A menos que seja exercida de forma gratuita, ou seja, com outras fontes de renda, como a maioria dos blogueiros, a profissão está ameaçada pelo pior: o fato de não saber se tem um futuro pela frente.

No trem, no metrô, em um café, em um congresso político: em outra época, a imprensa reinava nesses ambientes; hoje, quantas pessoas exibem um jornal que não seja gratuito nesses lugares? Não se trata de uma impressão: números confirmam a realidade dessa deserção. Na Europa ocidental e nos Estados Unidos, a distribuição de jornais impressos caiu 17% nos últimos cinco anos. E esse recuo aumenta. Na França, o período de febre eleitoral já não provoca corridas às bancas de jornal; de janeiro a agosto de 2012, os periódicosque abrangem temas gerais sofreram um recuo de 7,6% em relação ao ano passado. Durante as Olimpíadas, em julho e agosto, até um jornal esportivo como o L’Équipe– em situação de monopólio – viu suas vendas caírem.

Na esperança de impedir essa queda, meios com jornalismo de qualidade e crítico se veem obrigados a publicar manchetes que chamem mais atenção, como as que invadem a intimidade das pessoas, e artigos sobre qualquer coisa – inclusive com provocações isoladas de caricaturistas direcionadas a fundamentalistas. São os “anos mais sombrios de nossa história”. Os canais de notícias continuam amplificando estardalhaços. Adivinhar qual excesso mobilizará a atenção da mídia ou ocultar uma informação que exige do leitor um pouco mais que um “curtir” tornou-se uma brincadeira infantil. Assim, continua crescendo a parcela de vulgaridades e catastrofismos em diversos jornais – cujos proprietários acreditam que essas medidas podem atrair a atenção de leitores por algumas horas. Mas, se é assim, como convencer o leitor a pagar por algo que ele pode encontrar – gratuitamente e em profusão – em outras partes?

Em particular na internet. Hoje, aos 35 milhões de franceses que leem um jornal diariamente, somam-se ou se superpõem 25 milhões de internautas que consultam pelo menos um site de imprensa por mês. Mas os internautas foram habituados a acreditar que o reino da sociedade sem dinheiro havia chegado – salvo pelo fato de precisarem comprar, a preços altos, um computador, um smartphoneou um tabletque permitam o acesso à imprensa na rede mundial. A audiência on-line, portanto, não dá muito retorno financeiro aos que pesquisam, editam, corrigem e verificam a informação. Assim, pouco a pouco, constrói-se uma estrutura econômica parasitária que concentra em apenas alguns todos os lucros do comércio – enquanto os outros arcam com os custos da “gratuidade”.2

Um jornal como o The Guardian, por exemplo, tornou-se gratuito graças a seu site na internet, audiência número um no Reino Unido e terceiro no mundo, mas isso não impediu – ao contrário – que perdesse 57 milhões de euros no ano passado e demitisse uma centena de jornalistas. Apesar da necessidade de cada vez mais investimentos no setor, o crescimento dos jornais em versão digital coincide, em geral, com a redução das vendas em bancas. Sem dúvida, cerca de 6 milhões de britânicos leem pelo menos um artigo do Guardian por semana, mas apenas 211 mil o compram cotidianamente. É essa pequena população de compradores, em declínio, que financia a leitura gratuita dos internautas. Um dia, certamente, essa viagem terá de ser interrompida pela falta de combustível.

O páreo perdido dos editores também está relacionado à publicidade. No início, o modelo da “gratuidade” on-line imitava a lógica econômica da rádio comercial, depois, a dos jornais gratuitos distribuídos em estações de metrô por trabalhadores precarizados. No caso de rádios privadas (RTL, Europe 1, NRJ etc.), o retorno vem dos spotspublicitários que martirizam os tímpanos em meio aos programas. Mas, no segundo caso, se Vincent Bolloré e TF1, respectivamente proprietários de Direct Matine Métro, têm como projeto uma sociedade da gratuidade, é com a condição de que esta seja mais lucrativa. Para isso, cobra-se diretamente do anunciante, que, em troca, ganha feixes de leitores e audiência.

Com a informação on-line, o fiasco dessa estrutura tornou-se patente. Por mais que um site de imprensa seja um sucesso de audiência, os recursos advindos da publicidade vêm em conta-gotas, porque o setor tem muito mais interesse em anunciar em mecanismos de busca – que, segundo Marc Feuillée, presidente do Sindicato da Imprensa Cotidiana Nacional, se tornaram “megavitrines publicitárias, engolindo a quase totalidade dos recursos de nossos anunciantes”. Feuillée precisa com números: “Entre 2000 e 2010, os negócios publicitários envolvendo mecanismos de busca cresceram de 0 a 14 bilhões de euros, enquanto na imprensa on-line o crescimento no mesmo período foi de 0 a 250 milhões de euros”.3 Informado com detalhes dos gostos e leituras de cada um de nós, capaz (como Facebook) de vender, assim que possível, essa avalanche de dados pessoais aos publicitários que os utilizarão para “focar” melhor seu público-alvo, o Google também se tornou mestre na arte de fazer “otimização fiscal” na Irlanda e nas Ilhas Bermudas. Gigante, essa multinacional quase não paga impostos.

Se a imprensa está mal, a maior parte dos títulos dissimula essa situação, maquiando seus indicadores. Assim, parte da difusão proclamada paga – mais de 20% no caso de Échos, Libération ou Figaro – é em realidade ofertada em estações, companhias aéreas, armazéns de luxo, hotéis, escolas de comércio, estacionamentos. O número reivindicado de assinantes, por sua vez, seria muito mais baixo se não fossem as técnicas de hard discount, como o exemplo do jovem diretor do Nouvel Observateur, que se já não bastasse propor treze números de sua revista por 15 euros, também agregou ao pacote um “relógio da coleção Lip clássicos”. O dono da L’Expresscom suas echarpes coloridas fez melhor: assinatura de 45 números por 45 euros, que tinha como bônus um “despertador com visor luminoso e sonoro”.

Outras astúcias permitem fortalecer a audiência desses sites. Assim, quando um título da imprensa que pertence a Serge Dassault adquire um site especializado em espetáculos ou meteorologia, aproveita para incluir cada internauta preocupado com o sol em suas férias no grupo de leitores da “marca” Le Figaro.

Sejamos sinceros também sobre a situação da nossa franquia: desde janeiro deste ano, a distribuição do Le Monde Diplomatique caiu 7,2% na França. A falta de tempo e de dinheiro; o desencorajamento diante de uma crise que prevemos bem antes dos outros, mas que não podemos remediar sozinhos; a contestação da ordem econômica e social que raramente encontra eco na política: todos esses fatores contribuem para nosso recuo.

À degradação de nossa situação financeira, soma-se uma nova baixa em nossas receitas publicitárias. Aos nossos numerosos leitores, que em geral não aprovam esse tipo de recurso, prometemos que a publicidade não ultrapassaria o teto de 5% de nossos negócios. Em 2012, contudo, esse número não chegava a 2%. Graças a uma política intransigente sobre a tarifa de nossas assinaturas – não liquidamos nossas publicações nem oferecemos outra coisa além dos jornais encomendados pelos assinantes – e também à campanha de doações que relançamos cada ano na mesma época e que ajuda a financiar nossos projetos de desenvolvimento, nossas perdas permaneceram modestas. Mas, em 2012, este jornal vai terminar em déficit. E nada garante que a tendência será revertida no ano que vem.

Raios de luz

No entanto, alguns raios de luz clareiam a paisagem. Uma nova edição eletrônica será lançada nos próximos meses. Ela permitirá ao leitor passar instantaneamente de um formato que reflete o jornal em papel, com sua sequência e paginação, a outro mais adaptado a todas as telas. Uma edição específica destinada aos tablets e outros dispositivos de leitura digital está em preparação. Além disso, observamos que nossos arquivos suscitavam um interesse excepcional – as vendas de nosso último DVD superaram todas as expectativas. Em breve, também proporemos a nossos assinantes, por uma soma módica, o acesso instantâneo a qualquer um de nossos artigos publicados entre o nascimento do Le Monde Diplomatique em maio de 1954 e a edição atual. Finalmente, será possível a todos, assinantes ou não, acessar nossos arquivos de documentos durante alguns dias mediante o pagamento de uma taxa. Essas novas funcionalidades do site, que esperamos inaugurar até o início do próximo ano, demandaram um longo e pesado investimento de nossa parte. Esperamos, agora, a entrada de recursos mais regulares: eles contribuirão para a defesa de nossa independência.

Mas também é preciso, juntos, manter as vendas do jornal. Isso implica, em primeiro lugar, que as pessoas saibam de sua existência. A visibilidade do Le Monde Diplomatique em bancas e livrarias diminui à medida que a rede de distribuição se deteriora. Escravos da profissão situada na ponta da cadeia, submetidos a horários e condições de trabalhos exaustivos, acossados pela concorrência da imprensa chamada “gratuita”, centenas de donos de bancas de jornal e pequenas livrarias de imprensa fecharam as portas nos últimos anos (918 apenas em 2011). Contudo, graças a esses trabalhadores, os leitores estabelecem relações com nosso jornal pela primeira vez. Como fazer chegar nossas publicações em que tal pesquisa, análise ou reportagem foi publicada àqueles que ainda não são assinantes?

Quando se trata do Le Monde Diplomatique, a promoção fraternal e as citações entre os meios de comunicação são simplesmente silenciadas. Assim, entre 19 de março e 20 de abril de 2012, período escolhido ao acaso por um de nossos estagiários, as citações de imprensa de Europe 1, RTL e France Inter evocaram 133 títulos, entre eles Le Figaro(124 vezes), Libération(121 vezes), sem mencionar France Footballe Picsou Magazine. O Le Monde Diplomatiquenão foi citado nem sequer uma vez. Difícil ser menos presente que o principal jornal francês publicado no mundo inteiro (51 edições em trinta idiomas).

No fundo, pouco importa: nossa rede social é você. Portanto, contamos com você para encorajar outras pessoas a viverem nossas aventuras intelectuais e compromissos, para tornar este jornal e seus valores mais conhecidos, convencer as pessoas a seu redor que não é urgente nem necessário reagir a todas as “polêmicas”, abraçar o mundo para no fim não ter nada, percorrer todos os caminhos, sem poder se lembrar de todos. E que é bom – por exemplo, uma vez por mês? – abandonar a sala onde pessoas vociferam e decidir parar um pouco para refletir.

Para que pode servir um jornal? Para aprender e compreender. Dar um pouco de coerência a um mundo onde outros empilham informação sem parar. Pensar criticamente em nossas lutas, identificar e tornar conhecidos seus atores. Não continuar solidário a um poder em nome de referências traídas por suas próprias ações. Recusar fundamentalismos identitários que esquecem que a herança do “Ocidente” é o Palácio de Verão, a destruição do meio ambiente, mas também o sindicalismo, a ecologia, o feminismo – a Guerra da Argélia e os “carregadores de bagagem”. E que o “Sul”, os países emergentes que desarticulam a ordem colonial, engloba forças medievais, elites predadoras e movimentos que as combatem – a gigante taiwanesa Foxconn e os trabalhadores de Shenzhen.

Para que pode servir um jornal? Em tempos de recuo e resignação, pode servir para mostrar caminhos de novas relações sociais, econômicas, ecológicas.4 Para provocar e estimular sociais-democratas, sem trégua. Foram eles, por exemplo, que a partir de nossas análises lançaram a ideia de taxar transações financeiras,5 depois a de estabelecer um teto para a renda.6 Os dois temas levantaram polêmicas que ainda persistem, e segundo o relato de vários jornalistas, nosso artigo da edição de fevereiro último inspirou François Hollande a propor a criação de um imposto de 75% para rendas superiores a 1 milhão de euros. Um jornal pode também, portanto, lembrar que a imprensa nem sempre está do lado da indústria ou de empresários contra aqueles que lutam obstinadamente para salvar o planeta e mudar o mundo.

A existência e o desenvolvimento de um jornal com essas características não podem depender apenas do trabalho da equipe reduzida que o produz, por mais entusiasta que seja. Mas sabemos que podemos contar com você. Juntos, tomaremos o tempo necessário.

Serge Halimi é o diretor de redação de Le Monde Diplomatique (França).

1 Cf. “La tyrannie de la vitesse” [A tirania da velocidade], Sciences Humaines, jul. 2012.

2 Ler “L’information gratuite n’existe pas” [A informação gratuita não existe]. Disponível em: http://www.monde-diplomatique.fr/carnet/2010-10-07-information.

3 Correspondance de la presse, Paris, 17 set. 2012.

4 Ler, por exemplo, Bernard Friot, “La cotisation, levier d’émancipation” [A cotização, alavanca da emancipação], Le Monde Diplomatique, fev. 2012; “Le temps des utopies” [O tempo das utopias], Manière de Voir, n.112, ago./set. 2010.

5 Cf. Ibrahim Warde, “Le projet de taxe Tobin, bête noire des spéculateurs, cible des censeurs” [O projeto da taxa Tobin, ameaça aos especuladores, alvo dos censores], e Ignacio Ramonet, “Désarmer.les marchés” [Desarmar os mercados], respectivamente, Le Monde Diplomatique, fev. e dez. 1997.

6 Ler Sam Pizzigati, “Plafonner les revenus, une idée américaine” [Teto para a renda, uma ideia norte-americana], Le Monde Diplomatique, fev. 2012.

França quer que Google pague por notícia indexada

O presidente francês, François Hollande, quer que o Google e meios de comunicação fechem um acordo até o final de ano sobre direitos autorais. A informação foi dada na segunda ao presidente-executivo do Google, Eric Schmidt. Se não houver acordo, “uma lei poderá regular a questão, a exemplo do que acontece na Alemanha”.

O projeto de lei alemão estabelece que portais de busca têm que pagar para indexar os conteúdos das versões letrônicas de jornais e revistas, por exemplo.

O Google considera o projeto de lei “nefasto para a internet, para os internautas e para os editores que, hoje, se aproveitam do tráfego gerado pelo motor de buscas”.

No Brasil, os jornais associados à ANJ (Associação Nacional dos Jornais), que representam 90% do mercado, tiraram suas matérias do buscador há mais de um ano.

Desde então, mesmo sem aparecer nos índices de buscas, o tráfego para os respectivos portais caiu, em média, menos de 5%.

O que explica a primazia do ensino superior privado no país? Esse processo advém da ditadura civil-militar, que fez da privatização um projeto dominante, utilizando-a até mesmo para estancar pressões sociais dos “excedentes” no vestibular (aprovados, mas sem garantia de vaga) e da força do movimento estudantil na época

Clique na imagem a seguir e leia, completo, o artigo de César Augusto Minto e Lalo Watanabe Minto

 

Resenha

Resenha publicada na Revista Famecos, em 1999. (Carla Lisboa)

História das teorias da comunicação

Nos últimos anos, Armand Mattelart vem realizando um audacioso projeto: escrever a história das mídias, das teorias que as envolvem e dos processos de comunicação sob os mais diferentes aspectos. Do ponto de vista do leitor brasileiro, primeiro foi a vez de Comunicação-Mundo (Petrópolis, Vozes. 1994). Agora, a Loyola lança este História das teorias da comunicação. Está ainda faltando La mondialization de la communication, de 1996, que já recebeu tradução espanhola mas encontra-se inédito entre nós.

Se Comunicação-Mundo organizava-se em três grandes blocos, a guerra, o progresso tecnológico e a cultura, este novo trabalho é mais fragmentário mas, ao mesmo tempo, mais definido. Ele se desdobra em sete grandes capítulos que vai abrangendo as diferentes fontes teóricas, espalhadas pelas diferentes disciplinas que, ao longo dos dois últimos séculos, e às vezes até bem antes, terminaram por influenciar a maneira de conceber, discutir e pensar os processos de informação (consequentemente, de comunicação) existentes hoje em dia no mundo. Por isso mesmo, a mesma característica do livro anterior, ainda que em percentuais menores, a reiteração de alguns enfoques, ainda que sob novas perspectivas, ocorre também neste trabalho .

Leia mais

Amadoras

BSB em fotos amadoras…

…  Céu de Brasília

Traço do arquiteto

Gosto tanto dela assim

Gosto de filha música de preto

Gosto tanto dela assim…

(Djavan)

%d blogueiros gostam disto: